quarta-feira, 27 de abril de 2011
Poemeto do Viajante
Poltrona 40, corredor
Ao lado do banheiro químico.
Quando criança, eu era feliz e engraçadinho
De lá para cá, em algum momento,
Eu devo ter errado.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
#microconto 4
Não tinha namorada. Talvez não fosse coincidência.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Projeto "Pagode em Prosa" #3
quinta-feira, 31 de março de 2011
Projeto Pagode em Prosa #2
quinta-feira, 24 de março de 2011
Projeto "Pagode em Prosa" #1
Só que, naquela sexta, o mundo deveria estar mais errado que normal. A loira, não fazia gestos irritados para ele. Nem beijava alguém para despistá-lo. Não. Por incrível que pareça, como nunca antes naquele bar, a mulher dava mostras de estar gostando. Até sorria para ele. Então, Claudinei foi para o ataque. Fazer história.
Na terceira música que dançaram juntos, depois de dizer que se chamava Ruth e era secretária, a loira foi direta:
__ Você é pedreiro, então? Estou com um problema no meu encanamento. Sei que não é seu trabalho, mas, não quer ir visitar meu apê e dar uma olhada nisso para mim? Amanhã?
Claudinei, sem reação, gaguejando, tentou dissimular sua surpresa em ser convidado para a casa de uma mulher. Tentou ser discreto:
__ De... demorô!
Parecia sonho. A loira deu seu telefone, explicou onde morava e foi embora. A situação já o fazia delirar. Ao que tudo indicava, venceria a “seca” que já durava um bom tempo e com a mulher mais espetacular que ele vira naquele bar. Quiçá ao vivo. Já estava apaixonado.
E, no sábado, ele cancelou um churrasco em que iria e foi para o prédio de Ruth. Um bom bairro. Levou também suas ferramentas, pois, vai que tinha mesmo algum encanamento para arrumar?
De fatp. Ruth deixou-o na cozinha, ocupado com uma pia que parecia ter todos os entulhos do mundo. Ela ficou na sala, assistindo tevê. Às vezes, passava para o quarto, e Claudinei ficava perdido em suas pernas, seu gingado, seu short curto. Ficava aceso. Ela lhe trazia água, dava alguns sorrisos...
Serviço terminado, a tarde já quase indo embora, Ruth convidou Claudinei para ir à sala. Ofereceu-lhe whisky:
__ Nossa, cansado como estou, vou capotar aqui se tomar isso.
__ Não tem problema, tem espaço na minha cama para nós dois...
Pronto, era a deixa que ele queria. A bebida desceu gelada, mas a companhia da moça o esquentava. E uma coisa leva à outra. Foram para o quarto e, enquanto se beijavam, Claudinei pensava na injustiça que era não poder tirar uma foto dela assim, sua, e mostrar para a turma o mulherão que estava pegando.
Até que, Ruth tomou a iniciativa e se despiu. E, em seu corpo feminino, algo estranho o encarara. Um órgão que, definitivamente, ele não esperava encontrar ali. Claudinei foi recuando, assustado, sem saber o que fazer. Os segundos mais longos de sua vida. Ruth deu uma risada e logo apareceram algumas pessoas com câmeras e microfones. Ele havia caído numa pegadinha bem obscena. Queriam gravar seu rosto de espanto diante “daquilo”. Conseguiram. Se ele queria que os amigos o vissem com a loira, seu desejo estava atendido.
Desiludido, só restou a Claudinei voltar para casa. Tinha pensado que viveria uma história de amor. Mas era cilada.
terça-feira, 22 de março de 2011
#microconto 3
quarta-feira, 16 de março de 2011
#microconto 2
quarta-feira, 9 de março de 2011
#microconto
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Sem Título #3
Trabalho numa grande loja de eletrodomésticos. Então, sabe como é, né, sou atendente, tenho que ficar o dia todo conversando com as pessoas, sendo agradável e tal. E sempre é muito difícil. Tem gente demais no mundo! E pior, gente pobre! Caraca, como tem gente pobre comprando tv, dvd, celular, essas coisas. Essa facilidade que a loja dá, divide em muitas vezes, meses e meses pagando uma miséria. Aí, chove pobre interessado.
O pior é que a maioria só vem, entra, fica olhando, perguntando, te aluga por meia hora e vai embora. E não compra, me desculpa a palavra, porra nenhuma! Todo dia tem uns dez desses. Sem contar que eles vêm, com aquelas roupinhas de feirante, aquelas conversinhas sem graças, sem falar nos que já entram comendo! Odeio comprador que vem comendo porcarias na minha frente, ali é um ambiente de negociação, custa ser ao menos um pouquinho formal?
Aí, não bastasse fazer isso por nove horas pra ganhar uma mixaria, ainda tem a volta pra casa. Horário de pico, ponto de ônibus lotado. Quando o coletivo aparece, é como se soltasse notas de 100 reais, o povo apronta uma correria, parece que é a vida deles que está em jogo. Aí você entra, fica apertado, em pé, e pra quê? Agüentar mais conversa de pobre, ou então pobre escutando aquelas músicas horrorosas no celular, ou, mesmo que quieto, pobre espalhando aqueles perfumes de quinta. É brincadeira eu ter que passar por isso, viu. Fico ali, com meu fone de ouvido, fingindo que morri, é um tempo que demora tanto a passar que às vezes parece mesmo que eu morri e estou no inferno.
Mas eu quero sair dessa vida. Não dá. Mandei meu currículo para umas lojas aí, essas de shopping, sabe, coisa mais chique. Trabalhar em lugar com ar condicionado, cliente selecionado, eu mereço. Né, Deus, por favor...
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Canto do deslugar
Que tenha algo a ser descoberto
Um baú de risadas honestas
Ou amuletos para uma vida boa
Pode mesmo ser um objeto placebo
Só para, em sua busca, eu agridocicar
Esses dias da objetividade com aroma de bílis.
Todos os meus amigos estão velhos
Já não suportam a música alta
Nem procuram as possibilidades abertas
Que a noite resiste em insinuar
São almas batendo ponto
Na esquina designada por outros.
Adoraria que não buscassem nas minhas letras
Vestígios dos versos da moda
Ou de MPB revisitada
Rogo louvores aos malditos
Escarro na cara deles para tentar ser aceito
Sou muito anos noventa
Para essa geração Y.