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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Café

Acordo
Tomo café
Chego no trabalho
Tomo café
E muitas vezes
Tomo café
Volto para casa
Mais café
[Você me entendeu].

No fim do dia
Manter-me acordado
Não valeu a gastrite.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Pedra *

No meio do caminho tinha um nóia fumando pedra

Tinha um nóia fumando pedra no meio do caminho

Tinha um nóia

No meio do caminho tinha um nóia fumando pedra



[Daí que eu atravessei a rua, que eu não gosto de ver essas coisas.]


* Adaptação de "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Melhor amigo

Não tinha teto.
Não tinha nada.

Nem família.
Nem comida.
Nem higiene.
Nem pedra.

Mas tinha um cachorro

Vira-lata, como ele.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O sono injusto


No deleite merecido

Em sono aconchegante

O demônio me surpreendeu

E puxou minha perna

Suas garras, impiedosas,

Torceram meus músculos

Sufocando-me em gemidos

Pavorosos gritos de dor.

Por fim, veio o silêncio,

Restou a resignação

Pois era uma sina.

Havia cheiro de enxofre

E falta de potássio.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá está o arco-íris. Eu estou aqui.


Em algum lugar

Pr’além do arco-íris

Há uma vida na qual sou bem sucedido

No sentido CARAS,

Men’s Health,

Ou biografia do Steve Jobs.


Você não me vê procurando esse tal lugar.

Sou do tipo que acha arco-íris cafonas

Constrange-se com marketing pessoal

E acredita que só há uma Glória,

Que é a tia da Patty.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

27


Fazer algo grande
E morrer aos vinte e sete
Era sua meta juvenil
De vencer
Incontestavelmente.

Agora,
Com suas tantas primaveras
Ele só podia advogar pela nobreza
De viver,
Quantos anos fossem necessários,
Sendo o mais medíocre dos homens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bolsonarianas

Higienização
A sociedade gosta
Pé na bunda dos viciados
Spray de pimenta e bala de borracha.

O país anda perdido
Uma situação deplorável
Os homossexuais se beijam nas ruas
Que cena abominável!

Não que eu tenha algo contra
Sem essa de homofobia!
Bicha é engraçado lá na novela
Aqui eu prezo pela família.

Onde andam os bons costumes?
Quanta avacalhação
Direitos Humanos, sim.
Pra gay, puta e bandido, não!

Eu pago meus impostos
Sou o mais honesto da cidade
Rezo missa aos domingos
Deus, Família e Propriedade.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Romantismo Revolucionário, cantos 1 e 2

Lá na rua onde eu moro,
Tão fazendo um viaduto
Modernidade o caralho
Quero mesmo é criar um burro.

A Lagoa da Pampulha
Fede pra daná
Vem Aécio, vem JK,
Pro progresso nóis cheirar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poemeto do Viajante

O bilhete não me dá opção
Poltrona 40, corredor
Ao lado do banheiro químico.

Quando criança, eu era feliz e engraçadinho
De lá para cá, em algum momento,
Eu devo ter errado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Canto do deslugar

Procuro qualquer lugar
Que tenha algo a ser descoberto
Um baú de risadas honestas
Ou amuletos para uma vida boa
Pode mesmo ser um objeto placebo
Só para, em sua busca, eu agridocicar
Esses dias da objetividade com aroma de bílis.

Todos os meus amigos estão velhos
Já não suportam a música alta
Nem procuram as possibilidades abertas
Que a noite resiste em insinuar
São almas batendo ponto
Na esquina designada por outros.

Adoraria que não buscassem nas minhas letras
Vestígios dos versos da moda
Ou de MPB revisitada
Rogo louvores aos malditos
Escarro na cara deles para tentar ser aceito
Sou muito anos noventa
Para essa geração Y.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Flashes na Escuridão - Capítulo 4

4


A ausência e a escuridão


Por Fabrício Alves


A trajetória pela rua,
A espessura dos degraus na escada,
A disposição dos móveis,
A ordem das atividades que vou fazer:
Tudo decorado.

Mas um zumbido
Qual um assopro divino
Proclama as sombras
E eu tateio pelo caminho
Tropeço pelas escadas
Trombo em móveis
Desnorteado.
Um brinde ao inusitado!

Todavia
Mesmo sufocado em trevas
Contemplo a face do vazio
Que me mata.
Pois nenhum blecaute pode apagar
A presença de tua ausência.