Apesar das aparências. E das
manifestações. Pois o fetiche coletivo por carros é maior.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Pedra *
No meio do caminho tinha um nóia fumando pedra
Tinha um nóia fumando pedra no meio do caminho
Tinha um nóia
No meio do caminho tinha um nóia fumando pedra
[Daí que eu atravessei a rua, que eu não gosto de ver essas
coisas.]
* Adaptação de "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade
* Adaptação de "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 5 de julho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
O Povo nas Ruas
Afonso ligou a TV. Na parte
inferior da tela estava escrito: “O POVO TOMA AS RUAS DO BRASIL”. Ele fez uma
careta, achou engraçado. E virou para a esposa:
__ Engraçado. Eu achava que “povo”
era os pobre igual nóis, mulher. Mas né não. Eu tô na rua todo dia, vendendo
meus cigarros San Marino, e tem sempre um montão de gente trabalhando lá,
voltando no ônibus comigo. E isso é todo dia. Mas se tão falando que é agora
que o povo tá na rua... Então “povo” deve ser essa gente bacana, que veste verde
e amarelo, né?
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Melhor amigo
Não tinha teto.
Não tinha nada.
Nem família.
Nem comida.
Nem higiene.
Nem pedra.
Mas tinha um cachorro
Vira-lata, como ele.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Idem
Frio à sombra, quente sob o
sol. Pelas ruas, empregadas domésticas apaziguavam a poeira da calçada com potentes
jatos de água. Do alto, funcionários da empresa civil assoviavam. Cachorros
desconfiados só sabem latir.
Eu ando preguiçosamente, pois
sei aonde vou chegar. É um dia como qualquer outro. Talvez seja.
Déjà
vu.
sábado, 13 de abril de 2013
Peixe morto
Houve tempo para ele perceber o quanto o ar era mais leve
do que a água do aquário. E de rodopiar algumas vezes.
Mas o chão se
aproximando impediu maiores reflexões.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Tempo para recordar
O pai se ergueu do sofá,
caminhou até a janela e, de costas para o filho, começou a discursar:
__ Garoto, dias assim me
remontam aos anos em que passei na cadeia. Dias terríveis, angustiantes. Neles,
as horas escorriam lentas e dolorosamente. Como eu sofri, meu filho, como eu
sofri. (...)
sexta-feira, 22 de março de 2013
O sono injusto
No deleite merecido
Em sono aconchegante
O demônio me surpreendeu
E puxou minha perna
Suas garras, impiedosas,
Torceram meus músculos
Sufocando-me em gemidos
Pavorosos gritos de dor.
Por fim, veio o silêncio,
Restou a resignação
Pois era uma sina.
Havia cheiro de enxofre
E falta de potássio.
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