Hoje, as redes sociais são essenciais
nas nossas vidas. Nelas nos comunicamos, trocamos informações, nos mobilizamos
para salvar o mundo, compartilhamos textos de blogs dos coleguinhas (o que é
extremamente simpático)... e nos irritamos. Por que não? Afinal, ainda que
virtualmente, são seres humanos que estão ali. Nem todo F5 que damos vai nos
dar orgulho de nossa espécie...
Um problema fundamental nas
redes sociais: a facilidade de confundir público e privado. Mal que nós conhecemos
bem, Brasília que o diga. Mas aqui em outro sentido. As pessoas não têm a menor
ideia do que deve ser compartilhado com seus amigos e o que deve ser guardado na intimidade.
O que nos leva ao vilão das
redes sociais: a informação desnecessária. É muito freqüente no Twitter.
Pessoal, será que é importante dizer para a comunidade o que você comeu hoje?
Se estava bom? Os efeitos disso em seu intestino? Ou o que você fez a cinco
minutos, e agora, e o que vai fazer nos próximos dez?
Bom senso, senão você perde um
amigo mal-humorado. Lembre da sábia “tirada” do vocalista do Placebo no
Serginho Grosiman: “sabe, meu caro amigo, às vezes menos é mais”. Brian Molko,
ícone do mau humor. http://www.youtube.com/watch?v=Zh6ptRP7KzA
Vivemos em um tempo em que as
pessoas expressam suas carências em atualizações na internet. Não basta estar
triste porque seu periquito está doente. Você tem que colocar “LUTO” na frente
do seu nome. Não basta visitar o sul do Paquistão. É preciso postar as 938 fotos
que você fez. Ainda que o sorriso do tipo “aplicaram botox na minha bochecha” seja
um só.
Aliás, outro terror: o “dig din
feelings”. Marketing pessoal, esnobismo, a gente vê por aqui. As redes sociais
são um instrumento para dizer ao mundo o quanto você é foda. Ou acha que é. Se
as pessoas fossem tão confiantes quanto seus perfis virtuais são, não sei
porque tem tantos caras hiperativos dando palestras motivacionais, berrando “SIM,
VOCÊ VAI CONSEGUIR. POR QUÊ? PORQUE VOCÊ É O CARA!”.
Antes de ir ao próximo tópico,
voltemos às fotografias. No passado, quando alguém lhe recebia em casa e o obrigava a
ver as fotos ou/e o vídeo do casamento, isso era considerado uma eficaz forma
de tortura. Hoje em dia, com as câmeras digitais, postam-se até fotos de batizado do cachorro. E as
pessoas conferem. Voluntariamente. Cyber-sadomasoquismo?
Mas não para, não para, não
para, não. Se até agora não foi o suficiente para você ver o quanto as redes
sociais atiçam seu mal humor, é hora de apelar: as baranguices. Sim, o Facebook
está dominado pelo brega, no mal sentido. Fotos de bebês guti-gutis, ou de
gatinhos idem, com mensagem de “bom dia”? Sim, estão lá. Correntes do tipo “se
não compartilhar vai morrer seco”? Check. E frases auto-ajuda, na falta de
melhor definição? Também temos. Para todos os gostos. De frase do “Padre Gato”
até o Mr. Catra, passando por Airton Senna, Caetano Veloso, Dean Winchester (personagem de “Supernatural”),
e os literatos pops em citações aleatórias ou falsas, mesmo. A cada compartilhamento é uma revirada no túmulo do Caio F. Abreu e
da Clarice Lispector. Nessas horas, você até fica feliz em só ter um blog pouco
acessado.
E nossos amigos que querem nos
“conscientizar” compartilhando fotos de animais/ pessoas mutiladas, ou com
campanhas do tipo: “no Brasil um comediante [que fala coisas ofensivas] é
levado a sério e ‘uspolítico’, na brincadeira”? É ou não para amar, só que ao
contrário?
Enfim, vamos reconhecer: não
dá mais para viver sem internet. Mas passar a vida toda sem cometer ao menos um “orkuticídio”,
ou seja lá como o termo for atualizado? Só os fortes.
Confesso que eu adorei!Prometo silenciosamente voltar. Beijos no coração!
ResponderExcluirtexto muito bom luís. abc
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