terça-feira, 26 de junho de 2012
Insight matinal
Abriu os olhos e espiou o relógio: em cinco minutos o aparelho soaria. Seria inútil tentar dormir mais um pouco... http://www.manufatura.blogspot.com.br/2012/06/insight-matinal.html
terça-feira, 12 de junho de 2012
Dia dos Namorados
Aquele
12 de junho seria de romance para casais em todo o país. De lamentações para aqueles solteiros que escutaram o Fábio Júnior e seguem procurando a “metade da laranja”.
E de trabalho intenso para os funcionários de perfumarias, floriculturas e
lojas de chocolate.
Seria
um Dia dos Namorados tradicional. Menos para Elize, que está na cadeia por ter esquartejado o marido no mês passado.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Jeff Buckley: 15 anos
Minha
intuição sempre foi apurada em relação à música. Grande parte das bandas e artistas que
compõem o meu panteão foram percebidos com rápidas amostras. Por isso, poucas
decepções guardo comigo nesse tempo em que me tornei um apreciador musical, com
a dedicação que tal arte merece.
Com
Jeff Buckley não foi diferente. Ainda muito jovem, lá pelos treze anos, vi
pela primeira vez um vídeo dessa figura, por intermédio de Terence Machado e
seu Alto Falante. Na época, porém, meus ouvidos necessitavam de mais distorções,
assim como os homúnculos em Full Metal Alchmist necessitam de pedra vermelha.
Mesmo assim, lembro que a música, que não lembro qual era, me causou uma ótima
impressão, embora não fosse o que eu buscava escutar.
Guardei
o nome e a fidelidade ao programa da Rede Minas. Vi mais algumas vezes Jeff
Buckley nesse canal até o Kazaa e minha internet discada me
proporcionarem um maior contato com a obra desse compositor. E, até hoje, nas
minhas audições já não ocasionais, sinto o mesmo espanto daquela primeira vez.
Primeiramente, o mais óbvio, pela qualidade vocal. Será que conheço outros
vocalistas que atinjam agudos tão certeiros, prolongados, angustiados, sem
destruir o timbre de sua voz? Dificilmente. Jeff Buckley cantava com facilidade
melodias incertas que vão desde o suspiro de “I love you, but I´m afraid to
love you” em So Real, até gritos prolongados do refrão “Wait in fire” de Grace.
Só por isso, ele já seria um inigualável acréscimo à produção musical.
Entretanto,
ele acrescentou bem mais. Sua sensibilidade aliada de sua capacidade como
compositor fazem com que suas músicas sejam dotadas de uma carga de alto teor
emocional. Existem bons compositores que fazem música agradável. Os melhores,
porém, são aqueles que colocam um algo mais que dá vida à composição.
Justamente, a vida do artista. Por isso a importância da dinâmica interna
de suas músicas, com dedilhados leves na guitarra e distorções convivendo em
uma mesma música; ou o descontraído cover de Yard Of Blonde Girls e Everybody
Here Wants You em um mesmo disco. Dinâmica. É difícil encontrar músicas
melancólicas com variações. Talvez por isso eu não goste de Belle And
Sebastian. Nem afins.
Por
isso e muito mais, não consigo pensar em Jeff Buckley como mais um talento que
tenha surgido na música pop. Isso é impensável. Ele está em uma categoria muito
mais seleta, a de artistas que atingem uma profundidade muito além da do
convencional. Categoria que, com o perdão dos puristas que buscariam pares na
década de sessenta, ou algo do tipo, vejo amplamente desabitada.
Infelizmente,
escrever sobre Jeff Buckley implica esbarrar no tema da sua morte. Evento que,
penso, foi uma das maiores tragédias que a música já vivenciou. Afinal, morrer
afogado, antes de concluir os acertos do seu segundo álbum foi uma saída
triunfalmente romântica. Trágica, sobretudo. Com todo o peso que essa palavra
possui. Nem nisso o filho de Tim Buckley é superável.
Como
o fluxo do tempo é contínuo, um rio maldito correndo enlouquecido, completam-se
15 anos que Jeff Buckley morreu. Datas, quem precisa delas? Contar os anos que
se passaram desde que sua potente voz foi silenciada não ajuda a manter o ânimo
em estado aceitável. Consola pensar que suas músicas estão aí e outras pessoas
podem sentir o espanto que o clipe no Alto Falante me causou. Ao menos isso.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Projeto Pagode em Prosa #4
A obsessão de Thiago atendia por um nome: Vanessa. Há tempos não tirava a morena dos pensamentos. Estava apaixonado, qualquer assunto o lembrava dela. Mas não era correspondido. E o inverno ficava mais monocromático a cada rejeição que sofria.
Ele era um sujeito romântico. Tinha um vasto repertório de galanteios. Enviou-lhe flores, caixa de bombons, dedicou música na rádio, fez amizade com a família dela... e nada. Ia até mandar um daqueles carros de mensagem, mas, sorte a dele, amigos o alertaram antes que fosse tarde. Vanessa agradecia os presentes, mas oferecia a amizade e nada mais. Thiago até fazia o papel de confidente, escutava com atenção as mágoas da garota sobre o ex-namorado, por mais tedioso que isso fosse. Era um bom moço.
As opções estavam acabando e o rapaz armou uma última investida. Se não desse certo, não haveria mais nada a se fazer. Portanto, ele se preparou ao seu melhor estilo: cortou o cabelo, estreou uma camisa nova e foi generoso ao salpicar perfume em si mesmo. Chamou Vanessa para um passeio pela praça. Se suas atitudes não surtiam efeito, ele seria direto e faria uma declaração de amor, a mais comovente que ela jamais havia escutado.
Naquela noite, ele segurou as mãos dela, olhou em seus olhos, recitou Shakespeare. Mas Vanessa não se manifestava. Então, Thiago partiu para o improviso. Apelou para o céu.
__ Você é tudo para mim, se me aceitar como seu namorado, não haverá limites que não ultrapassarei por você. A Lua, ali, tá vendo? Se me pedir, eu busco ela. Se bem que você é muito mais brilhante...
E nesse momento, Vanessa foi despertada de sua impassividade:
__ É sério? Você busca se eu pedir?
__ Claro, meu amor. Por você, tudo.
__ Ué... eu acho que eu quero a Lua. Pega ela para mim.
Thiago riu. Pela primeira vez Vanessa correspondia a um galanteio dele. Estava dando certo.
Ou não.
__ Me traz a Lua, Thiago. É sério.
Era mesmo. Vanessa queria a Lua, de verdade.
E Thiago era um bom moço. Ao chegar em casa, ele procurou no Google o que era preciso para se tornar um astronauta.
Canção homenageada:
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O Guia do Mau Humor - Capítulo 3: "As redes sociais"
Hoje, as redes sociais são essenciais
nas nossas vidas. Nelas nos comunicamos, trocamos informações, nos mobilizamos
para salvar o mundo, compartilhamos textos de blogs dos coleguinhas (o que é
extremamente simpático)... e nos irritamos. Por que não? Afinal, ainda que
virtualmente, são seres humanos que estão ali. Nem todo F5 que damos vai nos
dar orgulho de nossa espécie...
Um problema fundamental nas
redes sociais: a facilidade de confundir público e privado. Mal que nós conhecemos
bem, Brasília que o diga. Mas aqui em outro sentido. As pessoas não têm a menor
ideia do que deve ser compartilhado com seus amigos e o que deve ser guardado na intimidade.
O que nos leva ao vilão das
redes sociais: a informação desnecessária. É muito freqüente no Twitter.
Pessoal, será que é importante dizer para a comunidade o que você comeu hoje?
Se estava bom? Os efeitos disso em seu intestino? Ou o que você fez a cinco
minutos, e agora, e o que vai fazer nos próximos dez?
Bom senso, senão você perde um
amigo mal-humorado. Lembre da sábia “tirada” do vocalista do Placebo no
Serginho Grosiman: “sabe, meu caro amigo, às vezes menos é mais”. Brian Molko,
ícone do mau humor. http://www.youtube.com/watch?v=Zh6ptRP7KzA
Vivemos em um tempo em que as
pessoas expressam suas carências em atualizações na internet. Não basta estar
triste porque seu periquito está doente. Você tem que colocar “LUTO” na frente
do seu nome. Não basta visitar o sul do Paquistão. É preciso postar as 938 fotos
que você fez. Ainda que o sorriso do tipo “aplicaram botox na minha bochecha” seja
um só.
Aliás, outro terror: o “dig din
feelings”. Marketing pessoal, esnobismo, a gente vê por aqui. As redes sociais
são um instrumento para dizer ao mundo o quanto você é foda. Ou acha que é. Se
as pessoas fossem tão confiantes quanto seus perfis virtuais são, não sei
porque tem tantos caras hiperativos dando palestras motivacionais, berrando “SIM,
VOCÊ VAI CONSEGUIR. POR QUÊ? PORQUE VOCÊ É O CARA!”.
Antes de ir ao próximo tópico,
voltemos às fotografias. No passado, quando alguém lhe recebia em casa e o obrigava a
ver as fotos ou/e o vídeo do casamento, isso era considerado uma eficaz forma
de tortura. Hoje em dia, com as câmeras digitais, postam-se até fotos de batizado do cachorro. E as
pessoas conferem. Voluntariamente. Cyber-sadomasoquismo?
Mas não para, não para, não
para, não. Se até agora não foi o suficiente para você ver o quanto as redes
sociais atiçam seu mal humor, é hora de apelar: as baranguices. Sim, o Facebook
está dominado pelo brega, no mal sentido. Fotos de bebês guti-gutis, ou de
gatinhos idem, com mensagem de “bom dia”? Sim, estão lá. Correntes do tipo “se
não compartilhar vai morrer seco”? Check. E frases auto-ajuda, na falta de
melhor definição? Também temos. Para todos os gostos. De frase do “Padre Gato”
até o Mr. Catra, passando por Airton Senna, Caetano Veloso, Dean Winchester (personagem de “Supernatural”),
e os literatos pops em citações aleatórias ou falsas, mesmo. A cada compartilhamento é uma revirada no túmulo do Caio F. Abreu e
da Clarice Lispector. Nessas horas, você até fica feliz em só ter um blog pouco
acessado.
E nossos amigos que querem nos
“conscientizar” compartilhando fotos de animais/ pessoas mutiladas, ou com
campanhas do tipo: “no Brasil um comediante [que fala coisas ofensivas] é
levado a sério e ‘uspolítico’, na brincadeira”? É ou não para amar, só que ao
contrário?
Enfim, vamos reconhecer: não
dá mais para viver sem internet. Mas passar a vida toda sem cometer ao menos um “orkuticídio”,
ou seja lá como o termo for atualizado? Só os fortes.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Guia do Mau Humor - Capítulo 2: "No Supermercado"
Não que o mundo em si já não
seja um palco privilegiado para o mau humor. Mas se ele tem um templo, seu nome
é supermercado. Não dá. Ali, até a mais serena das criaturas deixa sua natureza
mal-humorada aflorar. Se você não ficar minimamente irritado em um
supermercado, vale conferir se não tem uma aureola sobre sua cabeça.
Por motivos simples. 1) Supermercados
estão sempre cheios. 2) Supermercados estão sempre cheios de pessoas. 3)
Supermercados estão sempre cheios de pessoas não necessariamente educadas.
A tensão começa por uma
constatação básica. A não ser que você seja filho de um mega empresário (Eike
insuportável, se for o caso), não vai ficar feliz de ver seu dinheiro indo
embora. O governo Sarney e sua inflação monstra já acabou, mas os supermercados
ainda sugam nossas finanças com habilidade ímpar. É triste visualizar que mesmo
as coisas mais básicas para uma existência – café, miojo, batata palha, bacon,
se for da turma que come carne – tem seu preço. O dinheiro vai num tapa. Já as
horas de trabalho para consegui-lo...
Mas o problema não é só esse.
Em um supermercado dá de tudo, de tudo dá. É preciso ter alteridade. Só que
você, mal-humorado de raiz, não vai passar ileso pelos tipos humanos que
encontrará. Por exemplo, na seção de legumes. Sempre vai ter alguém escolhendo
tomates na sua frente, com um poder invejável para encontrar os bons tomates.
Você revira tudo e não encontra nada que preste. Já seu(ua) colega enche a
sacola em um instante. Ser esnobado por alguém melhor do que a gente, mesmo que
seja na arte de escolher os bons tomates, nunca é bom.
E os carrinhos? Se o
supermercado estiver cheio (duvido que não estará), tem que olhar para os dois
lados antes de atravessar um corredor.
Sem falar em quando você
procura algo específico, como, por exemplo, cola Super Bonder. Supermercados
sabem ser labirintos. Só que quando encontrar o seu “tesouro”, vai pagar por
ele.
A provação para o
mal-humorado, entretanto, ainda está por vir. As filas nos caixas. Quem sai
ileso delas? Nessa etapa, não vamos mentir, é preciso ser forte. É hora de
pensar em um bordão à Zorra Total, tipo “olha a angina!”, para manter a calma.
Não será fácil.
Por quê? As filas estarão
grandes. E isso é abrir precedente para que as pessoas sejam... pessoas. Se
você der bobeira, alguém vai cortar a fila bem na sua frente. Sim, no século
XXI, ainda tentam desses truques.
Não é raro o caixa dar
problema logo quando você vai passar suas compras. E, de fato, os trabalhadores
de supermercado não costumam estar no auge da sua simpatia. Não julgue. São
colegas nossos, olha só. E o trabalho deles, convenhamos, não é fácil.
Por fim, um alerta. Cuidado com
as filas preferenciais. Às vezes, todas as outras estão transbordando de
carrinhos e o caixa preferencial aparece como um oásis. Raios de sol, coral de
anjos mostram o caminho.
É miragem! Assim que você
chegar lá, vão brotar velhinhos e mulheres grávidas. Você é mal-humorado(a),
mas não é escroto(a), então não vai questionar o direito dessas pessoas. Vai
ficar esperando. Não necessariamente feliz.
Posto isso, a dica é evitar os
supermercados. Em algumas oportunidades, isso será impossível. Diante do
inevitável, pense na possibilidade de ser um herói. Tente voltar para casa com
a sanidade ilesa.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Guia do Mau Humor
Capítulo 1: Assumindo-se
Você não tem muita paciência com algumas particularidades
dos nossos pares da espécie humana. Não acorda esbanjando simpatia. Usa de
fones de ouvido como escudo para evitar diálogos gratuitos. Chegou ao cúmulo
de se identificar com a Xuxa no famigerado episódio do “Aham, senta lá, Cláudia”.
Sim, você é uma pessoa mal-humorada.
E o que nós queremos dizer é: tudo bem. Mesmo. Não há mal
nisso. Inclusive, negamos o teor negativo aplicado ao termo. O ideal seria
dizer que você tem um humor, digamos, diferenciado. E diferenciar é bom.
Qualquer filosofia de botequim dirá que as pessoas se
constroem a partir do reconhecimento que as outras pessoas têm delas. E seu mau
humor é um sintoma de anti-sociabilidade, um grito de independência do seu ser,
que não quer simplesmente “seguir a manada”.
Dessa maneira, o mau humorado não é nocivo à sociedade,
como tantos imaginam. Não. Precisa-se de gente que vá contra o óbvio. Senão o
mundo vira uma grande histeria coletiva.
Se isso não ajudá-lo a se sentir melhor com seu mau
humor, pense em você como um velinho rabugento em formação (a não ser que já
seja um idoso; aí você já é a realização). O que seria da humanidade sem esses adoráveis
senhores (as), sábios seres que chegam no poente da vida e compartilham seu
ceticismo conosco?
O mundo precisa dos seres mal-humorados. Mas talvez ele
não retribua como deveria. Você vai se sentir excluído por seu humor
diferenciado. Por exemplo, quando aquele conhecido mostrar o filhinho dele que
mal sabe andar, fazendo alguma “dancinha da moda” (coff, coff, “Ai se eu te
pego”). Você não vai achar graça. Lembrará que macaquinhos amestrados também
fazem isso. Temerá pelo futuro da criança. E vai se sentir o pior ser humano do
universo.
Mas você não é – ao menos, não por isso. Tem que ter
alguém para torcer contra o Barcelona. Ou que não goste de Beatles.
Para
você não se sentir tão solitário nessa tarefa, acompanhe os próximos capítulos
desse guia.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Os sonhos do Sr. Oliveira
Envelhecer é realmente uma coisa horrenda. Sr. Oliveira demorou a aceitar esse fato. Na juventude, ele esbanjava vitalidade. Tinha o físico de um touro e uma disposição respeitável.
Mas quando foi inevitável reconhecer que o peso do tempo em suas costas já era visível, ele se esforçou para lidar bem com isso. Afinal, foram-se setenta e sete primaveras. Não podia negar que o outono se aproximava.
Sr. Oliveira refugiou-se, então, na rotina pacata de um aposentado. Gostava de passear com seu cachorro pela manhã. Iam até a padaria, desfrutando o frescor das seis horas. O dia esbanjava o frescor nesse momento e as ruas exibiam tranqüilidade igual a do tempo de sua juventude.
Voltava para casa com os pães, o cachorro e o jornal. Ficaria a manhã toda folheando tranquilamente as páginas, comentando as notícias com a esposa e repreendendo o neto adolescente, que só acordaria depois das dez.
Em algumas manhãs, todavia, Sr. Oliveira ficava inquieto. Culpa de sonhos que periodicamente vinham perturbá-lo. Nada de novo, era o seu passado que vinha visitá-lo. Lembranças dos tempos em que sua patente militar precedia seu nome mesmo nas relações familiares. De subterrâneos, com umidades nas paredes e gritos de dor aterrorizantes ao fundo. Jovens barbudos em sua frente se negando a confessar. E ele os torturando. Pelo bem da pátria.
Sr. Oliveira não sentia culpa. De fato, até se orgulhava. É que aqueles gritos... Ele só queria que eles não fossem tão viscerais. E tantos. Tantos...
sexta-feira, 16 de março de 2012
#microconto5
Pedro confiava em Sofia. Expunha-lhe suas alegrias, temores e aflições. Ela recebia tudo com ternos sorrisos e conselhos atenciosos.
Ele quase a amava. Quase. Pois a confiança custava R$200 a hora.
quinta-feira, 1 de março de 2012
29 de Fevereiro
A cada ano, a Terra demora 365 dias para circundar o Sol. Na verdade, entretanto, ela nunca é eficiente a ponto de cumprir a meta. Sobram seis horinhas bobas nessa brincadeira toda. No limbo, elas vão sendo acumuladas e, no quarto ano, formam um dia completo. É o fatídico dia 29 de fevereiro, especial por sua raridade.
Moisés nunca tinha pensado nisso com seriedade. Até aquele ano. Ficou deslumbrado com a ideia de um dia distinto a ponto de só ocorrer naquela periodicidade. Um dia extra, atípico, não poderia ser desperdiçado.
Por isso, não foi trabalhar. Dedicaria o dia raro a si mesmo. Ficaria em casa, feliz.
Mas não foi o suficiente. Ele não queria ser egoísta e gastar o dia extra apenas consigo mesmo. Era preciso fazer algo bom, mas não só para ele, para todos. Para o mundo. Só ficaria satisfeito se fizesse algo grandioso.
E ele fez. No dia 29 de fevereiro de 2012, Moisés matou os seus vizinhos.
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