segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mercado da Bola

O empresário, seu clube atual e o anterior: tal como uma pizza, sua posse estava divida entre os três. (...) 
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Discografia comentada: Fiona Apple – “The Idler Wheel...” (2012)



Depois de uma espera de sete anos, os fãs de Fiona Apple receberam em 2012, enfim, o sucessor de Extraordinary Machine. E o novo álbum já se impõe no título, um poema escrito pela cantora/ compositora: The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do.

Mas eu pergunto: por que esperar por Fiona? A indústria musical despeja pencas de cantoras com vozes singulares e influências de jazz e rock alternativo. Eu poderia enumerar umas cinco delas se quisesse polemizar. Surgem com uma aura cult e, contraditoriamente, tornam-se populares. Para depois sumir.

Nos anos 1990, quando surgiu com Tidal (1996), Fiona Apple podia ser compreendida como um caso desses. Era claramente um achado musical. Com apenas 19 anos, ela lançava um álbum elogiado e repleto de músicas marcantes. “Sleep to Dream” e “Criminal” mostravam uma cantora com personalidade e uma admirável voz contralto. Foi hit, álbum platinado e vencedor de Grammy.

Em When the Pawl... (1999) o sucesso não foi o mesmo, mas Fiona manteve a qualidade. E nos anos seguintes, ela sairia dos holofotes, mostrando-se um caso sincero de inadaptação ao mainstream. Pois existe o glamour de “não se adaptar à fama”. No caso da cantora, porém, o incômodo com a exposição midiática é real.

The Idler Wheel... é, provavelmente, o melhor álbum de Fiona Apple, ainda que seja uma afirmação um tanto pessoal. É um cd homogêneo, as canções, apesar de compostas ao longo do hiato de sete anos, são bastante coerentes entre si. Ele é mais cru do que os anteriores, sem arranjos orquestrais ou batidas dançantes, por exemplo. De um modo geral, as músicas são construídas na base voz + piano + percussão.

Fiona Apple traduz em música seu universo, que é bastante particular em sua tempestuosidade. Nele, a doçura e a beleza não excluem tormentos, aflições e desencanto. É o caso da faixa de abertura e primeiro single, “Every Single Night”. A canção varia de um início sutil para um refrão potente, onde a cantora declara que “every single night is a fight with my brain”. Sobram asas brancas de borboletas em chamas no cérebro e ideias escorrendo na coluna da moça. E o cd começa muito bem.

“Daredevil”, em seguida, confirma que escutaremos a voz de Fiona em carne viva em The Idler Wheel... . “Valentine” seria uma balada, mas baladas não combinam com a cantora e o refrão deixa a música realmente interessante.

Mais à frente, com “Left Alone”, Apple é feroz e brada “how can I ask anyone to love me/ when all I do is beg to be left alone”. Para muitos, é incômodo ver a atual magreza da cantora, com olheiras que engolem seus olhos azuis. Não deveria. A vida, convenhamos, não é lá muito fácil de digerir. É milagre que todos nós não tenhamos distúrbios alimentares.

É um álbum curto. São 10 músicas e 42 minutos. Pouco, em números, para tanto tempo de espera. Porém, The Idler Wheel... é intenso e não há canção nele que se destaque negativamente. Pelo contrário, é preciso ressaltar a beleza de “Werewolf” e “Anything We Want”.

Assim, fica a resposta para a pergunta lá no início. Espera-se pelos retornos de Fiona Apple porque eles não decepcionam. Seu ritmo lento de produção não esconde uma artista em decadência. Pelo contrário, parece ser uma condição necessária para que ela produza álbuns sinceros. E que, ao que tudo indica, valem mais do que quase tudo que foi feito na música pop de 1996 para cá.

*Em tempo: foram anunciados três shows da Fiona Apple no Brasil. A novaiorquina passará por Porto Alegre (27/11), São Paulo (29/11) e Rio de Janeiro (30/11). 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Amargo como a morte

Mal tinha percebido que o dia começara, quando sua boca foi inundada pelo líquido amargo. (...)  http://manufatura.blogspot.com.br/2012/09/amargo-como-morte.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Discografia comentada: “Disclosure” (2012), The Gathering


Quando, em agosto de 2007, a vocalista Anneke van Giersbergen deixou o The Gathering, o chão se abriu para os raros fãs da banda. Pois não era uma simples troca de integrante. A entrada de Anneke marcou a mudança no som do grupo, que progressivamente foi abandonando estilos mais pesados (doom/ gothic metal) para sonoridades mais atmosféricas, que a banda denominou trip rock (alusão ao trip hop de grupos como o Portishead).

Mais do que esse marco simbólico, Anneke se tornou a “cara” do The Gathering. Com sua bela voz e o assombroso carisma, a cantora não poderia ocupar lugar diferente. Foi tão protagonista na banda que resolveu dar seu vôo solo. Ser seu próprio rosto.

E agora, cinco anos depois, podemos ver que o rompimento, embora dolorido aos entusiastas do grupo, foi honesto. Everything is changing, terceiro álbum solo de Anneke (os dois anteriores usaram o nome Agua de Anique como transição) indica que a cantora está convicta em flertar com o pop. Vide o clipe de "Take me Home".

Já o The Gathering lançou nesse mês seu segundo trabalho pós-Anneke, Disclosure. Esse álbum teve maior participação de Silje Wergeland (ex-Octavia Sperati), norueguesa que assumiu os vocais. O anterior, West Pole (2009), ela encontrou praticamente pronto. E Disclosure é um atestado de que o The Gathering segue fiel ao seu trip rock, sem soar repetitivo no caminho que escolheram.

No álbum novo, os holandeses liderados pelos irmãos Hans e René Rutten incorporam mais características do rock progressivo, outro rótulo que costuma ser utilizado para definir sua sonoridade. Não o progressivo de intermináveis solos virtuoses, é bem verdade, mas na exploração da capacidade sensorial da música.

Paper Waves”, apresentada ao público brasileiro no show da banda em julho de 2011, abre o disco. É uma faixa eficaz como abertura do disco, mostra que o que virá a seguir é promissor. Os saudosistas podem até sentir falta de Anneke, mas Silje cumpre bem a árdua tarefa de substituí-la. Sobretudo por soar bem e em seu próprio estilo.

“Meltdown”, em seguida, é a música mais ousada do cd. Além do vocal masculino (estreia do tecladista Frank Boeijen na função), algo que não ocorria desde “A Life All Mine”, de Souvenirs (2003), a música inicia com uma dinâmica bastante moderna. Porém, pela metade, ela toma rumo mais introspectivo. De fato, Disclosure é um álbum de músicas longas e com variações internas. “Heroes For Ghosts”, quarta faixa, que teve um clipe lançado no ano passado, dura mais de dez minutos. Épica, mostra uma banda entrosada.

“Paralyzed”, terceira música, é a que mais se aproxima de uma balada no disco e, de fato, tem potencial para single. Conta com uma bela melodia vocal e um acompanhamento bem digno.

Disclosure tem também uma faixa dividida, “Gemini I” e “Gemini II”, essa encerrando o cd. “Missing Seasons” talvez seja a canção que menos chama a atenção no cd. “I Can See Four Miles” reforça que, mais do que faixas grandes, temos músicas grandiosas no décimo álbum de inéditas do The Gathering.

O supracitado show dos holandeses em São Paulo, no ano passado, mostrou que o impacto gerado pela saída da ex-vocalista afetou o número de seguidores do grupo. O público que compareceu naquele domingo foi consideravelmente menor que aquele do outro show da banda no Brasil, em 2006, ainda com Anneke – o tamanho do local onde os eventos ocorreram também transmite essa realidade, do Via Funchal para o Hangar 110.

Disclosure nos faz concluir que, junto da separação entre os integrantes, também ocorreu uma entre seus seguidores: foram-se os(as) tietes de Anneke, ficando os verdadeiros fãs da banda. Pois musicalmente é inegável que o The Gathering mantém sua identidade. Com mudanças, claro, pois trata-se de uma característica de sua trajetória. Mas eles seguem explorando as possibilidades do trip rock. Seus fãs da banda podem ser poucos, todavia são convictos de serem uns privilegiados.  

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Café filosófico


Mexendo a colher na xícara para dissolver o açúcar em seu espresso, ele se questionou: deveria estar frustrado com os rumos de sua vida?

Pensou, parando o movimento, mas por poucos segundos. Era o suficiente para chegar a uma conclusão. Não, não havia frustração. Ao menos não a esse respeito.

Ele observou, ao redor, as pessoas nas outras mesas do Café. E teve certeza: se fosse ficar frustrado, seria por outros motivos. Como por fazer parte da espécie humana.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Notas sobre nada


Queria escrever um texto sobre nada. Estar liberto de um tema. Seria o seu desafio naquela manhã. Por isso, abriu o Word em seu computador, estalou os dedos e se preparou para começar. Antes, porém, achou pertinente conferir seu correio eletrônico. Os dois: primeiro o endereço do Gmail e, depois, o Yahoo. Muitos spams e nenhuma mensagem urgente. Normal.

Depois, foi conferir suas redes sociais. Facebook e Twitter. Muitas novidades na vida dos seus amigos. Bom para eles. Precisava conceber um texto.

Voltou para o Word. E esboçou um título para o texto. Não gostou. Seria melhor começar escrevendo, depois pensaria no título. Não. Preferiu voltar para a internet e ler algumas notícias. Quem sabe haveria uma nova guerra? Outro escândalo político? Um divórcio entre as celebridades? Precisava se informar.

Leu algumas notas e foi conferir se havia algo de novo sobre seu time. Pouca coisa acontecera do dia anterior até aquela manhã. E, no Word, nada. A folha virtual continuava branca.

Então, pensou numa frase inicial. Emendou duas, três. Um parágrafo. E parou. Releu, estava ok. Foi conferir se não havia recebido um novo email...

Escrever um texto sobre nada. Não sabia que a tarefa seria tão autobiográfica. Sequer sabia por onde começar. Levantou e foi até a cozinha pegar um copo d’água.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Questionário


__ Sou um artesão de palavras. Minha matéria-prima são as ideias. Escrevo textos, mas gosto de pensar no meu ofício como o labor de um alquimista. Colho sonhos, cores, sorrisos. O amor, a delicadeza humana, as lágrimas de uma donzela. O frescor das manhãs, a filosofia das crianças, o aroma do café na cozinha das avós... E os transformo em literatura. (...)

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

27


Fazer algo grande
E morrer aos vinte e sete
Era sua meta juvenil
De vencer
Incontestavelmente.

Agora,
Com suas tantas primaveras
Ele só podia advogar pela nobreza
De viver,
Quantos anos fossem necessários,
Sendo o mais medíocre dos homens.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Insight matinal

Abriu os olhos e espiou o relógio: em cinco minutos o aparelho soaria. Seria inútil tentar dormir mais um pouco... http://www.manufatura.blogspot.com.br/2012/06/insight-matinal.html 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados


Aquele 12 de junho seria de romance para casais em todo o país. De lamentações para aqueles solteiros que escutaram o Fábio Júnior e seguem procurando a “metade da laranja”. E de trabalho intenso para os funcionários de perfumarias, floriculturas e lojas de chocolate.

Seria um Dia dos Namorados tradicional. Menos para Elize, que está na cadeia por ter esquartejado o marido no mês passado.